Eleições municipais de 2022 registram maior número de candidatos negros do que brancos, aponta Justiça Eleitoral

Essa conquista histórica já havia sido alcançada nas eleições gerais de 2022, quando 50,2% dos candidatos eram negros. Nas eleições municipais de 2018, essa proporção era de 46,4%. Os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (20) apontam que, dos 456.310 pedidos de registro de candidatura, 155 mil são de mulheres, totalizando 33,96% do total.
Um dado relevante é a distribuição das candidaturas negras por partido político. Destaca-se o PCdoB, com 70,19% de suas candidatas declarando-se negras, assim como 73,4% dos candidatos homens do partido. Por outro lado, o Novo apresenta o maior percentual de mulheres não negras candidatas, com 58,06%, e o PL lidera com a maior taxa de homens não negros candidatos, atingindo 56,4%.
Essa maior representatividade de candidaturas negras e femininas está alinhada com a legislação eleitoral que prevê a destinação de recursos públicos de forma proporcional, de acordo com as cotas estabelecidas para mulheres e pessoas negras nas campanhas eleitorais. O Congresso Nacional aprovou recentemente uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que estabelece a destinação de 30% dos recursos públicos para campanhas eleitorais de pessoas negras.
A classificação adotada pelo TSE segue a do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), incluindo como negras as pessoas que se declaram pardas ou pretas. Diante desses números e da mudança de paradigma na representatividade racial, especialistas apontam para um maior reconhecimento racial por parte dos brasileiros, refletindo a diversidade e a pluralidade do povo brasileiro.