
O governo Lula (PT) acabou no ano eleitoral de 2024 com a transparência das doações de máquinas, implementos agrícolas e veículos realizadas pela estatal federal Codevasf, sendo a maioria delas feita com verbas de emendas parlamentares.
A distribuição de produtos pela empresa pública tem grande impacto nas eleições pelo seu valor bilionário e pelo fato de ocorrer inclusive nos meses que antecedem as votações, por meio de uma manobra para burlar a regra de proibição de entregas gratuitas no período eleitoral.
Anteriormente dedicada a projetos de irrigação no semiárido, a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) foi transformada em um emendoduto dos congressistas no governo de Jair Bolsonaro (PL) e mantida com esse perfil na gestão Lula.
Até o primeiro ano da administração petista, a Codevasf publicava em seu site informações parciais sobre as distribuições de bens a prefeituras, associações e entidades privadas, que passaram de R$ 1,2 bilhão nos anos de 2022 e 2023.
Estatal nega viés político, e Presidência silencia
Por meio de sua assessoria de imprensa a Codevasf afirmou que “não há qualquer viés político nos procedimentos de transparência adotados pela empresa”.
De acordo com a estatal, “não houve decisão deliberada pela não publicação de dados no site da Codevasf. Informações sobre todas as doações realizadas pela Companhia são publicadas no Diário Oficial da União, o que assegura plena transparência aos processos de transferência de bens para beneficiários”
“O sistema anterior, que migrava automaticamente as informações para o site da empresa, deixou de ser alimentado por questões técnicas”, completou.
Procurada pela Folha, a Presidência da República não se manifestou.