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Descontentamento do gabinete do ministro Alexandre de Moraes com a Interpol e os EUA no caso do blogueiro Allan dos Santos
No ano de 2022, uma conversa entre dois juízes instrutores vinculados ao ministro Alexandre de Moraes, sendo um do STF (Supremo Tribunal Federal) e outro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), revelou um cenário de descontentamento com a postura da Interpol e do governo dos Estados Unidos no caso do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos.
Allan dos Santos é investigado nos inquéritos das milícias digitais e das fake news devido aos seus ataques às instituições e à democracia. Ele está com um mandado de prisão preventiva expedido por Moraes e é considerado foragido da Justiça brasileira.
Recentemente, Allan foi alvo de uma nova ordem de prisão emitida por Moraes, sob suspeita de crimes contra a honra, obstrução de Justiça e ameaça.
Em outro episódio, em outubro de 2021, Moraes determinou a prisão, a inclusão na difusão vermelha da Interpol e a extradição de Allan dos Estados Unidos, para onde o blogueiro se mudou após buscas da PF no Brasil.
A conversa entre os juízes Airton Vieira e Marco Antônio Vargas, ocorrida em novembro de 2022 e parte dos diálogos acessados pela imprensa, revelou a frustração do gabinete do ministro. A situação gerou tentativas de contato com a Interpol e autoridades americanas, mas sem sucesso.
Airton Vieira explicou que, apesar dos pedidos reiterados, a Interpol em Lyon se recusou a incluir Allan no alerta vermelho, levantando a possibilidade de motivações políticas para a decisão. Além disso, os EUA não responderam formalmente ao pedido de extradição feito anteriormente.
Os juízes expressaram indignação com a postura da Interpol e dos EUA, classificando-a como “sacanagem”. A falta de ação das autoridades permitiu que Allan dos Santos continuasse em liberdade, aprofundando a sensação de impunidade do blogueiro.
O descontentamento com a situação se estendeu para a esfera política, com a expectativa de que a mudança de governo no Brasil pudesse facilitar o processo de extradição. No entanto, as autoridades americanas comunicaram que não extraditarão Allan por delitos considerados crimes de opinião, mas estão dispostas a prosseguir com o processo em relação a crimes como lavagem de dinheiro.
Apesar dos esforços do gabinete de Moraes, a situação permanece indefinida, mostrando as complexidades das relações internacionais envolvidas no caso.