
No início de julho, um triste episódio chocou a comunidade palestina e repercutiu internacionalmente. A palestina Rufaida al-Ghalayini, de 69 anos, fez um telefonema desesperado para um sobrinho, relatando que soldados israelenses haviam invadido sua casa em Gaza e tirado a vida de suas duas irmãs, Arwa e Maysun. Com dificuldades para se movimentar, Rufaida clamava por ajuda naquela madrugada dolorosa.
A notícia rapidamente chegou ao Brasil, onde parte de sua família reside, incluindo o professor Hazem Ashmawi, da Unicamp. Os familiares compartilharam a trágica informação nas redes sociais em busca de apoio para Rufaida, com quem não tinham contato há algum tempo.
Dias se passaram até que a confirmação da morte de Rufaida chegasse, evidenciando a brutalidade dos acontecimentos. A reitoria da Unicamp emitiu uma nota de solidariedade a Ashmawi, condenando a “ação de extrema violência” perpetrada pelo Exército de Israel contra as três mulheres indefesas.
O caso foi amplamente divulgado pela rede de TV Al Jazeera e pelo jornal palestino Al-Ayyam, que trouxeram à tona relatos dos membros da família que conseguiram escapar para o Egito durante os conflitos.
Salwa, mãe do professor Ashmawi, reinava entre as vítimas como uma figura central. A idosa de 88 anos mantinha laços estreitos com Rufaida, Arwa e Maysun, primas do pai de Salwa, com quem conviveu em Gaza e criou vínculos fraternos.
O bairro de classe média de al-Rimal, onde as três irmãs residiam, foi palco da tragédia. Localizado a poucos metros do Mediterrâneo, al-Rimal sofreu com os horrores dos bombardeios israelenses, que deixaram a região em ruínas.
O relato da família aponta que as irmãs Ghalayini foram alvejadas sem piedade em sua própria residência, em uma ação truculenta que ceifou suas vidas sem piedade. Rufaida, com sua mobilidade reduzida, ficou ferida ao tentar intervir, tornando-se testemunha dos horrores perpetrados.
A partir do Brasil, os parentes acompanharam o desenrolar dos eventos com angústia, compartilhando informações e buscando auxílio para as irmãs no auge da crise. O desfecho trágico se confirmou com a destruição da casa das Ghalayinis e a dolorosa realização do enterro em meio aos escombros.
A violência em Gaza, palco de um conflito complexo e recorrente, levanta questionamentos sobre a linha tênue entre a autodefesa e os abusos de poder. O saldo de mortes e destruição ecoa as denúncias de genocídio e a desproporcionalidade das ações militares, alimentando o debate internacional sobre os limites da ação militar e o respeito aos direitos humanos.