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A complexa construção da branquitude: um olhar revelador sobre a cultura visual brasileira no livro ‘Imagens da Branquitude’







Análise da Branquitude na Cultura Brasileira

Análise da Branquitude na Cultura Brasileira

No início do século 20, uma família branca posa para um retrato cuidadosamente arranjado. Com trajes elegantes, um casal e duas crianças, em rigorosa pose, encaram a câmera diante de um cenário campestre simulado. Nos cantos da fotografia, duas pessoas negras estão presentes, segurando a tela. Esta imagem, capturada por Chichico Alkmim, um renomado retratista mineiro da época, revelou-se mais complexa com o passar do tempo, quando a mulher e a menina negra, originalmente ocultas, foram redescobertas após cem anos. Exposta de forma impactante no Instituto Moreira Salles, a foto se tornou um ícone didático das representações que as famílias abastadas projetavam e escondiam ao mundo.

O recente livro da antropóloga Lilia Schwarcz, intitulado “Imagens da Branquitude”, oferece uma profunda exploração sobre como a cultura branca estabeleceu uma estética que se autodefine como padrão, deixando todo o resto como “os outros” – muitas vezes negligenciados na narrativa histórica. Schwarcz conduz os leitores por um intrincado caminho que revela como a branquitude se tornou tão onipresente que sua influência muitas vezes passa despercebida. Ela destaca a importância de analisar o contraste entre o que é exposto publicamente e o que é mantido em reserva, revelando os mecanismos de construção e manutenção da supremacia branca na sociedade.

A pesquisadora reforça a necessidade de compreender o papel das imagens na perpetuação da branquitude, apontando para exemplos como a fotografia de Alkmim, que ilustra o processo de apagamento histórico que frequentemente marginaliza as contribuições negras. Schwarcz não apenas destaca a importância da produção visual na narrativa histórica, mas também chama a atenção para a maneira como as representações visuais podem reforçar hierarquias e estereótipos arraigados na sociedade brasileira.

O livro também aborda questões contemporâneas relacionadas à branquitude, como as políticas de ação afirmativa e a necessidade de promover a inclusão e a diversidade em instituições historicamente dominadas pela supremacia branca. Schwarcz enfatiza a importância de reconhecer os privilégios associados à branquitude e advoga por uma mudança de paradigma que valorize a pluralidade e a representatividade em todos os espaços sociais.

Em um momento em que o Brasil enfrenta desafios relacionados à igualdade racial e à justiça social, “Imagens da Branquitude” oferece uma análise perspicaz e provocativa sobre as dinâmicas complexas da identidade e da representação na cultura brasileira. O livro de Schwarcz convida os leitores a refletir sobre o legado da branquitude e a buscar caminhos para uma sociedade mais inclusiva e equitativa.

Por: Equipe de Redação


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