
Embates nas Federações Partidárias nas Eleições Municipais
No cenário político das eleições municipais, as recém-criadas federações partidárias estão sendo colocadas à prova, enfrentando embates internos, divergências e desafios significativos. Este novo modelo de aliança entre legendas está sendo testado pela primeira vez e já apresenta diversos obstáculos à sua efetividade.
Em pelo menos oito capitais brasileiras, as federações não conseguiram chegar a um consenso em relação ao lançamento de candidaturas ou à definição de alianças, resultando em dissidências internas e desentendimentos entre os partidos integrantes.
Os partidos menores, por sua vez, têm enfrentado dificuldades para conseguir espaço e emplacar candidatos a prefeito nas capitais, ficando muitas vezes à mercê dos partidos maiores que lideram as federações.
A criação das federações em 2021 teve como objetivo principal garantir a sobrevivência de legendas que não atingiram a cláusula de desempenho. Dessa forma, as siglas puderam se unir por um período mínimo de quatro anos, replicando a parceria nos estados e nos mais de 5.500 municípios do país.
Atualmente, existem três federações em vigor: a Brasil da Esperança, formada por PT, PC do B e PV; a aliança entre PSDB e Cidadania; e a parceria entre PSOL e Rede Sustentabilidade.
Um dos pontos de destaque é a divisão de candidaturas nas capitais. Na federação Brasil da Esperança, por exemplo, a predominância é do PT, com apenas uma candidatura do PV entre as 14 capitais. Essa distribuição contrasta com a atuação do PC do B, que, pela primeira vez desde 1996, não terá candidatos próprios à prefeitura, indicando apenas um vice em Recife.
Os embates internos durante a definição das candidaturas têm gerado fraturas e descontentamentos, exigindo intervenções dos diretórios estaduais e nacionais para resolver os conflitos. Mesmo assim, em algumas capitais como Aracaju, João Pessoa e Manaus, as divergências persistem.
A complexidade da realidade política brasileira tem se refletido nas disputas internas das federações, evidenciando a dificuldade de alcançar consensos e acordos entre os partidos parceiros.
Diante desse panorama, as eleições municipais de 2022 estão trazendo à tona as nuances e desafios das federações partidárias, que, apesar de representarem uma tentativa de unir forças, também evidenciam as contradições e complexidades da política nacional.