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Aumento significativo: Aeroporto de Guarulhos pode receber 10 mil pedidos de refúgio em 2024, revela delegado da Polícia Federal

14/08/2024 – 20:50

Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Reunião da Comissão Mista Permanente sobre Migrações Internacionais e Refugiados

O delegado da Polícia Federal Rodrigo de Jesus anunciou hoje aos membros da Comissão Mista sobre Migrações e Refugiados que há uma expectativa de 10 mil pedidos de refúgio no aeroporto de Guarulhos este ano, o que representaria um aumento de mais de 130% em relação ao ano anterior. Luana Medeiros, diretora do Departamento de Migrações do Ministério da Justiça, destacou que a presença de 300 pessoas inadmitidas no aeroporto passou de um caso excepcional para algo comum.

Rodrigo de Jesus explicou que antes da pandemia, os números ficavam em torno de 2 mil pessoas por ano. Ele também mencionou que mais de 70% dos inadmitidos que solicitam refúgio são indianos, nepaleses e vietnamitas.

O delegado relatou que é comum um estrangeiro pedir refúgio após ser inadmitido em outro país e tentar voltar ao Brasil. Essa prática, para Rodrigo e Luana, é um uso irregular da isenção de visto de trânsito oferecida pelo Brasil.

De acordo com Rodrigo, apenas 1,4% das pessoas que solicitaram refúgio desde janeiro de 2023 permanecem no sistema até o momento. A maioria deixou o país, muitas vezes através de organizações criminosas, ou está em situação irregular no território.

Dignidade
Luana Medeiros detalhou que o governo implementou medidas para lidar com um maior fluxo diário de pessoas, mas afirmou que ainda não é suficiente. Um novo plano está sendo elaborado para enfrentar a situação de forma mais eficaz.

O deputado Túlio Gadêlha (Rede-PE) e a senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) demonstraram preocupação com as condições de vida dos inadmitidos que ficam no aeroporto por dias ou semanas. Gadêlha relatou dificuldades de alimentação, higiene e descanso.

Para o procurador da República Guilherme Rocha, será necessário realizar ajustes na legislação para identificar de forma mais precisa quem realmente necessita de refúgio, evitando situações de risco envolvendo organizações criminosas.

 

 

Reportagem – Silvia Mugnatto
Edição – Ana Chalub

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