
Delfim é fruto de uma geração de economistas da Universidade de São Paulo (USP) que nos idos de 1950 acompanhava a vanguarda da pesquisa global mesmo sem sair do Brasil.
Ele lia todas as revistas acadêmicas que caíam em suas mãos e abusava da matemática. Sua tese de livre docência sobre a dependência das contas externas do Brasil das exportações de café é um diagnóstico certeiro do drama de uma época.
E ele transformou isso em prática. Já no ministério da Fazenda, junto com um grupo de outros notáveis, percebeu que era preciso não só diversificar a pauta de exportação agrícola, mas preparar o solo, adaptar as plantas para o clima tropical, formar gente.
Assim, nasceu Embrapa. E, com ela, a potência agrícola brasileira, a balança comercial forte, a independência nas contas externas.
Delfim era um keynesiano, e aí o homem que se tornou poderoso na ditadura, aproxima-se da esquerda. Ele sempre defendeu o Estado intervencionista na economia. A receita foi bem sucedida na agricultura, mas falhou em outros momentos da nossa história.
O governo Figueiredo, do qual Delfim era o ministro da Fazenda, flertou com o desastre, e escapou por pouco.
Delfim Netto: O Economista Transformador
Delfim Netto, um dos grandes economistas brasileiros, é reconhecido por sua contribuição à economia do país e por sua atuação durante momentos cruciais da história. Sua formação na Universidade de São Paulo (USP) o colocou em contato com as principais tendências globais da época, mesmo sem sair do Brasil.
Com uma abordagem analítica e baseada em números, Delfim destacou-se com sua tese sobre a dependência das contas externas do Brasil das exportações de café, o que se mostrou fundamental para compreender o cenário econômico da época. Ao assumir o Ministério da Fazenda, percebeu a necessidade de diversificar a pauta de exportação agrícola e investir em tecnologia e formação de profissionais qualificados.
Foi assim que surgiu a Embrapa, instituição responsável por impulsionar a agricultura brasileira, fortalecer a balança comercial e garantir a independência nas contas externas do país. Delfim, defensor do Estado intervencionista na economia, conseguiu êxito nesse setor, embora nem todas as suas políticas tenham sido igualmente bem-sucedidas.
No governo Figueiredo, onde ocupou o cargo de ministro da Fazenda, Delfim enfrentou desafios e viveu momentos delicados, mas conseguiu contornar crises e evitar desastres econômicos. Sua abordagem keynesiana aproximou-o da esquerda política, mostrando a complexidade de sua trajetória e de suas ideias.
Em resumo, Delfim Netto é um nome importante no cenário econômico brasileiro, cujo legado se reflete até os dias atuais, influenciando gerações de economistas e gestores públicos.