
É evidente que a estratégia mais fácil e instintiva para muitos líderes políticos é explorar o medo de um eventual governo de candidatos como Milei ou Bullrich, apresentando-os como um salto para o vazio. A esperança é que boa parte dos 51% que não votaram neles se unam em torno do terceiro candidato, criando assim um muro de contenção efetivo.
No entanto, é preciso questionar se essa tática será realmente eficiente. Será que é a melhor opção para o partido governista? Provavelmente não. É necessário uma profunda introspecção eleitoral por parte do Unión por la Patria, que conta com chances reais de chegar ao segundo turno e vencer contra um dos extremos, mas precisa melhorar alguns desempenhos que beiram o ridículo em algumas províncias.
Em diversos distritos, o peronismo obteve resultados inferiores aos de 2015, quando o desempenho já foi considerado medíocre. É possível identificar um potencial de crescimento em cerca de vinte distritos, o que pode contribuir para fortalecer o partido e evitar uma derrota.
Um ponto paradoxal é que, mesmo em um momento em que as províncias têm superávits e obras públicas por decisão de um governo peronista, o partido parece estar perdendo força federalmente. Uma hipótese para isso pode ser o fato de que os últimos quatro candidatos presidenciais do peronismo vieram da capital federal e da província de Buenos Aires.
No entanto, diante de tudo isso, é importante que o partido governista não entre em uma luta interna que caracteriza o peronismo a cada derrota. Afinal, as eleições de outubro estão longe e é fundamental evitar erros que possam contribuir para a própria derrota. Ignorar a luta contra o fascismo seria um grave equívoco.
Em suma, entre um cenário distópico e a Casa Rosada, o único muro de contenção com chance de vitória é o peronismo. Mas é necessário repensar as estratégias e buscar melhorias em desempenhos eleitorais deficientes. O caminho até outubro é longo, mas a luta contra o fascismo deve ser mantida como prioridade.