
Análise – Por que a democracia brasileira não morreu?
No livro “Por que a democracia brasileira não morreu?”, os cientistas políticos Marcus André Melo e Carlos Pereira apresentam uma reflexão profunda sobre a resiliência da democracia no Brasil diante das recentes crises políticas.
Os autores destacam duas teses principais ao longo do livro. A primeira tese afirmava que o presidencialismo de coalizão não foi o culpado pelas crises políticas enfrentadas pelo país. Segundo Melo e Pereira, o sistema político brasileiro tem funcionado de maneira mais eficiente do que se imagina, mesmo diante de conturbações internas e externas.
No entanto, é importante ressaltar que, além dos desafios recentes, o Brasil carrega consigo legados históricos que influenciaram sua trajetória política, como a transição à democracia com uma classe política herdada da ditadura, marcada pela conservadorismo e corrupção. Esses aspectos históricos também impactaram a direção que o sistema político brasileiro tomou ao longo dos anos.
Uma segunda tese abordada no livro é a discussão sobre a possibilidade de uma centralização autoritária no Brasil. Melo e Pereira argumentam que a complexidade institucional do país tornaria mais difícil a implementação de um regime autoritário. No entanto, questiona-se se regimes autoritários não seriam capazes de lidar com essa complexidade, como visto na ditadura de 1964.
Um ponto polêmico do livro é a análise apressada sobre a atuação dos militares, que teriam sido fundamentais para impedir um golpe. A polícia federal investiga a luta interna nas Forças Armadas, um aspecto que não foi aprofundado pelos autores.
Além disso, o livro não aborda a capacidade da política brasileira de acomodar golpistas, como o grupo bolsonarista que já demonstrou interesse em propostas antidemocráticas. A negociação de impeachment de ministros do STF em troca de votos também é um aspecto relevante que não foi explorado de maneira aprofundada.
Apesar das críticas, “Por que a democracia brasileira não morreu?” levanta questões importantes sobre o sistema político do país e tem gerado debates relevantes sobre o futuro da democracia no Brasil.