
Maior fundação de previdência privada do país defende modelo empresarial sólido
A Previ, maior fundação de previdência privada do Brasil e investidora relevante em grandes empresas nacionais, ressalta a importância do amadurecimento do modelo brasileiro de empresa pulverizada. Em um evento realizado nesta quarta-feira (7), o presidente da entidade, João Fukunaga, enfatizou que o formato atual de empresas sem um controlador acompanhando a gestão pode resultar em buscas por retornos de curto prazo, visando bônus para os executivos.
O governo atualmente tem interesse na Eletrobras, solicitando uma presença no conselho de administração compatível com sua participação acionária de 43%. O tema está sendo debatido em conciliação no STF (Supremo Tribunal Federal).
Para evitar a formação de grupos de controle, o processo de privatização restringiu a 10% os votos de cada acionista em assembleias, mesmo que detenham uma fatia maior. O governo busca ter entre três e quatro conselheiros na Eletrobras.
A Previ também possui participações relevantes em outras grandes empresas brasileiras, como Petrobras, Neoenergia, Vibra e Tupy. Com 22 representantes em conselhos de administração e 26 em conselhos fiscais, a fundação destaca a importância de uma gestão alinhada com os interesses dos acionistas e investidores de longo prazo.
Fukunaga reforça que a atuação das empresas pulverizadas pode prejudicar estratégias de longo prazo e a sustentabilidade das companhias, representando um risco para os próprios acionistas. A Previ, apesar de ser associada a interesses governamentais, concentra seus esforços na proteção dos participantes de seus fundos de pensão.
No cenário de sucessão da Vale, a fundação é citada como apoiadora de nomes ligados ao governo, porém as regras estritas da mineradora dificultam interferências externas. A consultoria contratada pela Vale apresentou uma lista de 15 nomes, que será depurada até dezembro para a escolha do novo líder.