
CPAC Brasil: consolidando a aliança do bolsonarismo com a direita radical
A quinta edição da Cpac Brasil, marcada para este final de semana em Balneário Camboriú (SC), promete ser um marco na aproximação do bolsonarismo com movimentos mundiais da direita radical. O evento, inspirado na tradicional conferência americana que acontece desde os anos 1970, contará com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do atual chefe de Estado argentino, Javier Milei.
Para a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), uma das palestrantes do evento, a presença de Milei e Bolsonaro juntos no palco será uma “humilhação para o Lula”, em clara provocação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O argentino Javier Milei irritou o governo brasileiro ao vir ao país em caráter não oficial, ignorando protocolos diplomáticos. Além disso, terá uma agenda carregada, incluindo encontros com empresários e o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), antes de sua participação no evento.
Diversas figuras proeminentes da direita latino-americana e europeia também marcarão presença na Cpac Brasil, como José Antônio Kast, do Chile, e Gustavo Funes, ministro da Justiça de El Salvador. O evento terá representantes de partidos europeus, como o português Chega! e o Grupo de Conservadores e Reformistas do Parlamento da União Europeia.
O evento, organizado pelo Instituto Conservador-Liberal (ICL), presidido pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), reúne cerca de 4.000 participantes, tornando-se a maior edição já realizada no Brasil. Com discussões que vão além da pauta internacional, temas como aborto, drogas e armas terão destaque na programação, com a presença de líderes do bolsonarismo na Câmara e no Senado.
Além disso, a Cpac Brasil também estará atenta às eleições municipais deste ano e às presidenciais de 2026. Com a presença de diversos pré-candidatos, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o evento reforça a ideia de que Jair Bolsonaro é o principal plano da direita para a disputa presidencial, apesar das questões de inelegibilidade.
A influência internacional favorável à direita e a expectativa de críticas ao Supremo Tribunal Federal, em meio a cercos judiciais contra Bolsonaro, prometem um evento movimentado e carregado de tensões políticas.