
Crise na Liberdade de Imprensa na Venezuela
No rescaldo das eleições controversas que deram uma suposta vitória ao ditador Nicolás Maduro, da Venezuela, o jornalista Magno Barros, de 57 anos, enfrentou uma situação complicada com a rádio onde apresentava seu programa diário, o Waka Noticias.
Barros relatou que recebeu uma mensagem do administrador da rádio instruindo-o a reconhecer a institucionalidade do presidente como eleito. Com essa determinação, a rádio decidiu transmitir apenas informações consideradas institucionais, sem abordar outros temas.
A situação se agravou quando a Conatel (Comissão Nacional de Telecomunicações) enviou uma mensagem ameaçando multar e cancelar as concessões de veículos de comunicação que transmitissem notícias com conteúdo considerado violento, como forma de coibir a cobertura dos protestos que ocorriam contra Maduro, resultando em várias mortes.
Diante desse cenário, Magno Barros tomou a decisão de romper sua parceria de dois anos com a rádio e informou sua audiência nas redes sociais que seu programa não seria mais transmitido devido à nova linha editorial imposta pelo veículo. O Waka Noticias era o único programa jornalístico da rádio no estado de Amazonas, no sul da Venezuela.
Essa situação reflete o apagão informacional que tem assolado o país diante do aumento da repressão estatal. O aumento da violência contra jornalistas e a restrição à liberdade de imprensa são evidentes, com relatos de detenções, deportações e agressões físicas e verbais, conforme registrado por instituições como o Ipys e o SNTP.
A imprensa venezuelana tem enfrentado uma série de dificuldades, com vários episódios de deportações de jornalistas estrangeiros, como o jornalista espanhol Cake Minuesa e o argentino Jorge Pizarro. Além disso, profissionais da emissora italiana Rai News e da agência de notícias Reuters também foram expulsos do país, evidenciando um cenário de repressão e censura.
Essas ações de repressão não são um caso isolado, pois o regime venezuelano já havia tomado medidas para restringir o acesso a sites de notícias independentes e bloqueado o site do jornal americano The Wall Street Journal recentemente.
Desde a chegada de Maduro ao poder, a Venezuela vem sofrendo um declínio na classificação de liberdade de imprensa, ocupando uma posição desfavorável no ranking da Repórteres Sem Fronteiras. A situação tem levado diversos profissionais, como Magno Barros, a considerar deixar o país em busca de liberdade e segurança para trabalhar.
A situação na Venezuela evidencia um cenário preocupante para a liberdade de imprensa e a democracia, com jornalistas enfrentando cada vez mais restrições e ataques por parte do Estado. A comunidade internacional precisa se manter alerta e cobrar medidas que garantam a liberdade de expressão e o direito à informação.