
Tragédia ambiental no rio Piracicaba
No dia 14 de julho, a comunidade do bairro Tanquã, em Piracicaba (SP), acordou com uma cena desoladora: um tapete de peixes mortos cobria um trecho de 6 km do rio Piracicaba. Entre os moradores afetados por essa tragédia, estão Sebastiana dos Santos Moraes, 79 anos, e seu marido Antônio Moraes, 83 anos.
Sebastiana, que há mais de 20 dias não come proteína, relembra com tristeza que o peixe era a principal fonte de alimento do casal. Com sua casa localizada a poucos metros do rio, a aposentada teme pelo futuro da comunidade, cuja subsistência depende das águas do Piracicaba.
A origem da contaminação que resultou na morte de cem toneladas de peixes foi identificada como um extravasamento de melaço da Usina São José S.A. Açúcar e Álcool, situada em Rio das Pedras, afluente do rio Piracicaba. A Cetesb multou a empresa em R$ 18 milhões, mas a São José nega conexão entre o incidente e a tragédia ambiental.
A pesca sempre foi a principal atividade econômica dos moradores do Tanquã, atraindo turistas e sustentando diversas famílias. Com a mortandade de peixes, pescadores como Nilson Abrahão e Ronaldo Evangelista enfrentam uma crise financeira sem precedentes. A comunidade teme pelo seu futuro, visto que a recuperação da população de peixes pode levar anos.
Medidas de apoio
Diante do cenário crítico, a prefeitura distribuiu cestas básicas às famílias e a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado reduziu os juros de empréstimos para pescadores. No entanto, o prefeito Luciano Almeida ressalta a necessidade de apoio contínuo e de ações efetivas para a preservação do rio e da comunidade local.
O posicionamento da empresa
Em nota, a Usina São José S.A. Açúcar e Álcool afirma que apresentará recurso contra a multa aplicada, dizendo desconhecer evidências que a relacionem à tragédia no rio Piracicaba. A empresa reforça a importância da atuação do poder público na proteção do meio ambiente e das atividades pesqueiras.
A comunidade do Tanquã aguarda ansiosa por medidas efetivas de recuperação do rio e de suporte às famílias afetadas. Enquanto isso, pescadores como Sebastiana e Antônio tentam lidar com a incerteza de um futuro marcado pela devastação ambiental que atingiu sua casa e sua fonte de vida.