
Artigo: Taxa Rosa – O Preço da Feminilidade
Lâminas de Barbear e Outros Produtos Femininos Mais Caros
Ao analisarmos o mercado de produtos voltados para o público feminino, deparamo-nos com a realidade da “taxa rosa”. Esse fenômeno, que não se restringe apenas ao Brasil, consiste na diferenciação de preços entre produtos idênticos, mas destinados a diferentes gêneros. Por exemplo, lâminas de barbear e de depilar, desodorantes, mamadeiras, camisetas básicas e peças íntimas são alguns dos itens que, quando na cor rosa e voltados para mulheres, tendem a ser mais caros.
A advogada Flavia Marimpietri, especialista em direito do consumidor, destaca que a taxa rosa não se baseia em diferenças de qualidade ou material, mas sim na segmentação por gênero. Em farmácias renomadas, como Drogasil, Droga Raia e Pague Menos, foi observado que produtos como aparelhos de depilar custam mais do que os aparelhos de barbear, ainda que as especificações sejam semelhantes.
A Diferença de Preços nas Farmácias
Segundo uma pesquisa de preços realizada em julho, o pacote de lâminas depiladoras para mulheres pode ser até R$ 11,21 mais caro do que o pacote para barbear masculino. Essa discrepância de valores também se estende a outros produtos, como desodorantes, camisetas básicas e até mesmo mamadeiras infantis.
Lorena Hakak, presidente da GeFam e colunista da Folha, ressalta que até mesmo as crianças estão sujeitas à taxa rosa, como no caso de mochilas com diferentes estampas. Essa prática, segundo as especialistas, reflete uma desigualdade já existente na sociedade, sendo ainda mais agravada em um contexto socioeconômico como o brasileiro.
A Importância da Conscientização e da Ação
Apesar de não haver uma legislação específica que proíba a aplicação da taxa rosa, é fundamental que os consumidores estejam cientes desse fenômeno e ajam de forma consciente. Flavia Marimpietri destaca a importância do boicote a produtos que pratiquem essa diferenciação de preços, visando promover mudanças no mercado.
Diante desse cenário, a sociedade civil e as empresas precisam repensar seus modelos de precificação, considerando a igualdade de gênero como um princípio fundamental. A luta contra a taxa rosa não é apenas uma questão de preço, mas sim de justiça e equidade para todos.