
Evento polêmico em Paris gera controvérsias
No lugar da baguete e dos símbolos caricaturais de uma França vista como arrogante, o evento abriu espaço para mulheres, negros, drag-queens, estrangeiros e um questionamento de toda a discriminação.
Julien Odoul, porta-voz da Reunião Nacional, chamou o evento de “vergonha”. “A abertura é um sacrilégio da cultura francesa”.
Seu ataque era, acima de tudo, contra a cantora Aya Nakamura. Nas últimas semanas, diante do vazamento da informação de que a artista de origem do Mali poderia estar no rio Sena, o grupo de extrema direita Les Natifs (Os nativos) forma às redes sociais para protestar. “Fora Aya. Aqui é Paris, e não um mercado de Bamako”, escreveram.
Nakamura nasceu em Bamako, em 1995, em uma família de griots, músicos tradicionais e contadores de histórias. Alguns anos depois, eles foram para o subúrbio parisiense de Aulnay-sous-Bois.
O influenciador Jean Messiha, uma espécie de comentarista de grande impacto da extrema direita, ironizou também a participação de Aya e usou o hashtag BoycottParis2024 em suas publicações. A proposta foi usada de forma intensa pelos grupos ultraconservadores.
Marion Marechal, sobrinha de Marine Le Pen, acusou os organizadores de terem “humilhado” a Guarda Nacional ao faze-la dançar ao lado de Aya.
Este evento em Paris tem gerado controvérsias e debates sobre diversidade e representatividade. Enquanto alguns criticam a presença de figuras como Aya Nakamura, outros enxergam a abertura do evento para diferentes grupos como um avanço na luta contra a discriminação. As redes sociais têm sido palco de intensos debates e protestos, tanto a favor quanto contra a participação de determinados artistas.