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Contratação de empresa acusada de fraude para operar microcrédito rural é alvo de investigação
A Caixa Econômica Federal está sob análise por estar estudando contratar a empresa Cactvs por R$ 411 milhões, mesmo após a empresa ter sido acusada de fraudar uma licitação do BNB (Banco do Nordeste) para operar microcrédito rural.
A empresa Cactvs foi proibida de operar com o BNB até março de 2025 devido a problemas em uma concorrência do programa de microcrédito rural. O contrato em análise pela Caixa prevê um pagamento em 60 meses, com a possibilidade do valor ultrapassar os R$ 411 milhões, dependendo do desempenho da operação que prevê 40 mil contratos anuais de microcrédito.
Os fundos para os empréstimos virão do FCO (Fundo Constitucional do Centro-Oeste) e do FNO (Fundo Constitucional de Financiamento do Norte), ficando o risco de inadimplência com estes fundos, enquanto o risco operacional ou de fraude é da Cactvs.
A Cactvs é liderada por Fernando Passos, ex-diretor da resseguradora IRB, e sua esposa, Kelvia Passos. Outro funcionário da empresa é Gilberto Occhi, ex-presidente da Caixa. O atual presidente da Caixa, Carlos Antônio Vieira Fernandes, foi indicado por Arthur Lira (PP-AL) e nomeado por Lula (PT) em uma tentativa de conquistar o apoio do centrão.
A contratação da Cactvs pela Caixa está sendo conduzida pelo sobrinho do presidente do banco, Marcos Antonio Vieira Fernandes, superintendente na subsidiária de cartões da instituição.
A Caixa afirmou que o processo de contratação seguiu os trâmites da empresa e está em análise pela equipe técnica, enquanto a Cactvs garante que não houve crime na licitação do BNB.
A Caixa busca um novo modelo para o microcrédito após prejuízos milionários causados por calotes em empréstimos oferecidos durante o governo Jair Bolsonaro. A inadimplência chegou a 80%, resultando em um rombo de mais de R$ 2 bilhões para o FGTS.