
Dia internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha: denúncia de violências e luta por justiça
O dia 25 de julho é marcado como uma data importante para denunciar os problemas cotidianos enfrentados por mulheres negras da América Latina e do Caribe. Essas mulheres sofrem com violências resultantes da combinação de machismo e racismo, que se manifestam de maneira ainda mais intensa em regiões com um passado colonial e escravocrata, além do constante descaso dos governos em combater essas práticas.
Entre essas mulheres, encontramos aquelas que enfrentam a dor inimaginável de perder um filho para a violência do próprio Estado. São as mães que precisam lidar com o assassinato de seus filhos em operações policiais.
No Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, foi lançada em Salvador a pesquisa “Vozes da Dor, da Luta e da Resistência das Mulheres/Mães de Vítimas da Violência de Estado no Brasil”. Este estudo foi conduzido pelas próprias mães, que se tornaram pesquisadoras sociais, em parceria com o Movimento Independente Mães de Maio e o Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Universidade Federal de São Paulo (CAAF Unifesp), com apoio financeiro da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
Desde 2021, 24 mães se uniram para compartilhar suas experiências, expressar seus sofrimentos diante das perdas, denunciar a negligência das autoridades e reivindicar justiça.
Desaparecimento sem solução
Um dos casos é o de Rute Fiúza, 56 anos, que há quase uma década convive com a angústia do desaparecimento de seu filho, Davi Fiúza. Ele desapareceu no dia 24 de outubro de 2014, após uma abordagem realizada por policiais na periferia de Salvador.
Testemunhas relataram que Davi foi encapuzado, amarrado e colocado no porta-malas de um carro por policiais que não se identificaram. Desde então, Rute busca desesperadamente por seu filho, sem sucesso.
Em 2023, ela recebeu o atestado de óbito de Davi, importante documento para o processo contra os responsáveis pelo crime. “É a confirmação da inabilidade do Estado em apresentar o corpo do meu filho e a demonstração da violência nas operações policiais nos bairros periféricos”, lamenta Rute.
“Perda de confiança na Justiça brasileira”
Apesar do indiciamento de 17 policiais militares envolvidos na abordagem, apenas sete foram denunciados pelo Ministério Público do Estado da Bahia em 2018, por sequestro e cárcere privado.