Agência BrasilDestaque

Justiça Federal impede Funai de fornecer materiais para construção de abrigos em ocupações indígenas no Paraná, decisão gera polêmica.

A decisão da Justiça Federal no Paraná de proibir a entrega de materiais de construção pela Fundação Nacional do Índio (Funai) às comunidades indígenas que ocupam imóveis rurais nas cidades de Guaíra e Terra Roxa, no oeste paranaense, gerou polêmica. O juiz federal João Paulo Nery dos Passos Martins, da 2ª Vara Federal de Umuarama, argumentou que tal medida vai contra as ordens judiciais de desocupação dos imóveis pelos indígenas.

A Funai informou que pretende recorrer da decisão, destacando o compromisso da fundação em prestar assistência às comunidades indígenas. O magistrado ressaltou a importância da colaboração da Funai e de outros órgãos públicos para o cumprimento das decisões judiciais e para evitar conflitos derivados de desocupações forçadas.

Essa determinação surge em meio a um contexto mais amplo de mobilizações indígenas que têm intensificado os conflitos com os proprietários rurais em diferentes regiões do país. O aumento da instabilidade se deve, em parte, à aprovação do marco temporal, estabelecido pela Lei 14.701/23, que define que os povos indígenas têm direito apenas aos territórios ocupados até 1988.

Esse embate entre direitos indígenas e interesses dos proprietários rurais tem gerado repercussões violentas, com ataques armados contra os indígenas em diferentes estados, como Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul. O governo federal tem buscado mediar esses conflitos, autorizando o emprego da Força Nacional em ações para preservar a ordem e a integridade nas aldeias indígenas.

A questão da demarcação de terras indígenas e o cumprimento do marco temporal têm sido temas centrais desses embates, causando incertezas jurídicas e abrindo espaço para atos de violência. A busca por conciliação entre as partes envolvidas tem sido um desafio, mas é essencial para evitar conflitos e garantir a segurança e os direitos dos povos indígenas. A expectativa é que a comissão criada para mediar essas questões comece a funcionar em breve, buscando estabelecer um acordo que respeite os direitos de todas as partes envolvidas.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo