DestaqueUOL

“A Casa de Bernarda Alba” estreia no Sesc 14 Bis em montagem com três elencos e linguagem provocativa, marcando nova fase dos Satyros.




Artigo Jornalístico

Na sexta-feira, dia 26 de agosto, a companhia teatral Os Satyros estreou a peça “A Casa de Bernarda Alba” no Sesc 14 Bis, marcando um novo capítulo em sua trajetória artística. Após uma década se dedicando a dramaturgias próprias, construídas a partir de histórias locais da região da praça Roosevelt, o grupo agora se reinventa com um clássico de Federico García Lorca, mantendo sua essência transgressora e provocativa.

Apesar da distância física entre a sede dos Satyros na Roosevelt e o Sesc 14 Bis ser relativamente curta, a transformação na abordagem da peça é significativa. Dividida em três elencos, cada um apresentando uma versão diferente da história, a montagem desafia convenções e promove uma experiência teatral inovadora.

O diretor Rodolfo García-Vázquez destaca a proposta experimental do espetáculo, que envolve o público em um jogo colaborativo e oferece múltiplas perspectivas sobre os temas abordados. Com a presença de elencos femininos, masculinos e mistos, a peça amplia o debate sobre gênero e mostra as contradições dos papéis sociais.

“A Casa de Bernarda Alba” é uma obra atemporal que aborda questões de opressão, violência e identidade, temas recorrentes na trajetória dos Satyros. Fundada em 1989, a companhia sempre explorou a diversidade e a marginalização em suas montagens, sendo uma voz relevante no cenário teatral nacional e internacional.

A escolha de encenar este clássico espanhol não é aleatória, como explica Ivam Cabral, um dos fundadores do grupo. A trama de García Lorca ainda ressoa nos dias atuais, refletindo realidades sociais e políticas complexas.

Comemorando seus 35 anos de atividade, Os Satyros demonstram uma maturidade artística ao se dedicarem a textos clássicos e contextualizá-los com a realidade brasileira. Após o sucesso de “Aurora” e “As Bruxas de Salém”, a companhia busca provocar e instigar o público com sua nova produção.

Além do espetáculo em si, a celebração dos 35 anos inclui o lançamento do livro “Os Satyros – Teatricidades: Experimentalismo, Arte e Política”, que analisa a trajetória e impacto do grupo dentro e fora dos palcos. A obra revela as lutas e conquistas dos artistas, assim como os desafios enfrentados no cenário cultural e social.

Os Satyros continuam a marcar presença não apenas pela qualidade de suas produções, mas também por sua constante busca por inovação e reflexão. Ao trazer à tona temas urgentes e atuais, a companhia se firma como um espaço de resistência e questionamento em meio a um cenário artístico em constante transformação.


Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo