
O relatório divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) nesta segunda-feira (22) trouxe dados alarmantes sobre a mortalidade infantil indígena no Brasil. De acordo com as informações apresentadas, 1040 crianças indígenas, de 0 a 4 anos de idade, faleceram em 2023 devido à omissão do poder público em garantir a devida assistência. Os estados mais impactados por esse triste cenário foram Amazonas, com 295 óbitos, Roraima, com 179, e Mato Grosso, com 124.
A falta de ações efetivas na área de saúde foi apontada como a principal causa dessas mortes. Muitas crianças não tiveram acesso a imunização, diagnóstico e tratamentos adequados, resultando em fatalidades decorrentes de doenças respiratórias, como gripe e pneumonia, que causaram a morte de 141 crianças. Além disso, outras 88 crianças perderam suas vidas devido a quadros de diarreia, gastroenterite e infecções intestinais, enquanto 57 foram vítimas de desnutrição.
O relatório também destacou a precariedade da infraestrutura de saúde nas comunidades indígenas, aliada à falta de saneamento básico e água potável. A mudança climática, com ocorrência de enchentes e estiagens, tornou a situação dessas populações ainda mais vulnerável.
Somente a partir deste último relatório, o Cimi passou a considerar os casos de morte por falta de assistência à saúde com base nos dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), o que explica o aumento no registro de casos em relação aos anos anteriores.
Assistência insuficiente às comunidades
O documento destacou que, apesar das expectativas geradas pela política indigenista no governo atual, os avanços têm sido lentos. Embora tenham sido retomadas ações de fiscalização e repressão às invasões em territórios indígenas, a demarcação de terras e as medidas de proteção e assistência às comunidades permanecem insuficientes.
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