
No final do século 19, a presença dos imigrantes europeus na Argentina deu origem a um mito de que os argentinos vieram dos barcos da Europa, conforme afirmou Bundio em entrevista. Contudo, para a ativista Maga, reconhecer o racismo no país também envolve admitir que algumas instituições contribuíram para apagar parte da memória nacional.
“A Argentina tem o mito de ser uma nação branca e europeia, o que dificulta a compreensão do racismo. A escola e os livros didáticos, ao negligenciarem o tema, influenciaram fortemente esse pensamento”, ponderou Maga.
Em 2013, foi instituído o Dia Nacional dos Afroargentinos e da Cultura Afro, celebrado em 8 de novembro, equivalente ao Dia da Consciência Negra no Brasil. Apesar disso, o debate sobre a consciência racial ainda está em estágio inicial. Mega ressalta que “ainda há muito a avançar na luta contra o racismo, especialmente diante do contexto político nacional e internacional, com a ascensão de partidos de ultradireita que alimentam o negacionismo racial”.
Milei enfraqueceu órgão de combate ao racismo
Desde a desarticulação do Instituto Contra a Discriminação, Xenofobia e o Racismo (Inadi) pelo governo de Milei, o combate ao racismo na Argentina perdeu força. O órgão, que tinha a função de fiscalizar e combater atos discriminatórios, foi considerado inútil e apenas um cabide de emprego pelo governo. Isso gerou críticas e preocupações com o avanço do racismo no país.