
Análise das eleições municipais: a lógica plebiscitária
Por essa lógica, a eleição se transforma em um plebiscito sobre a atuação do prefeito que está comandando a cidade, seja ela qual for. Se a gestão é bem avaliada, o incumbente tende a se reeleger ou fazer o sucessor. Se não é, ganha a oposição.
Duas das melhores manifestações dessa maneira de escolher o candidato são as eleições de prefeito no Recife e no Rio de Janeiro.
Na capital pernambucana, o atual prefeito, João Campos (PSB), tem 69% de aprovação de seu governo e 75% das intenções de voto para reelegê-lo, segundo o Datafolha. Plebiscito local. Nada a ver com o jogo de poder federal entre Lula e Bolsonaro.
Ajuda também o fato de Campos ser a quarta geração de políticos da poderosa família Arraes (bisneto de Miguel Arraes e filho de Eduardo Campos – ambos foram governadores de Pernambuco) e de ter milhões de seguidores no Instagram. Se fosse mal avaliado pelos recifenses, porém, não teria chances de se reeleger.
No Rio, o prefeito Eduardo Paes tem 46% de aprovação a este seu terceiro mandato e 53% das intenções de voto. Outro plebiscito.
Essa lógica plebiscitária continua valendo para a maioria das cidades do país. Em 2024, mais até do que em pleitos anteriores, por uma razão: uma enchente de verbas públicas.