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Escândalo de Espionagem do Governo Bolsonaro
Pelas informações até o momento, podemos dizer que esse é um dos maiores escândalos desde o fim da ditadura militar. Utilizando um software israelense que consegue monitorar deslocamento de pessoas pelo celular, o governo Bolsonaro espionou ministros do STF, parlamentares, governadores, advogados, jornalistas, ativistas, servidores públicos.
Até Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara e aliado de Bolsonaro, entrou na roda. Nem todos os nomes dos vigiados foram ainda divulgados.
Bolsonaro, que já havia instalado o Gabinete do Ódio nas dependências do Palácio do Planalto a fim de atacar adversários e jornalistas, ao que tudo indica criou também uma estrutura que atropelava garantias constitucionais e liberdades individuais, esvaziando a privacidade e fazendo arapongagem na vida pessoal e profissional de milhares de brasileiros. E conectou as duas.
Isso mostra o comportamento de um governante de estado autoritário, que vigia a tudo e a todos para garantir a sua perpetuação no poder.
Essa constatação não é exatamente surpreendente. Quando ele ainda era candidato à Presidência da República, em 2018, os que tinham apreço pela democracia avisaram que ele dobraria as instituições do Estado brasileiro às suas próprias necessidades.
Na fatídica reunião ministerial de 22 de abril de 2020, isso ficou explícito. “Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira”, disse ele.