Desempenho do Brasil no Pisa de 2022 foi melhor do que o esperado, apesar de queda no desempenho em matemática e leitura.

Os números revelados mostram que menos de 50% dos alunos atingiram o nível mínimo de aprendizado em matemática e ciências. No total, 10.798 alunos de 599 escolas brasileiras passaram pelo processo de avaliação do PISA, que é aplicado a cada três anos e avalia os conhecimentos dos estudantes de 15 anos de idade em matemática, ciências e leitura. Os resultados da edição de 2022 enfatizaram a preocupação com a aprendizagem dos estudantes, principalmente em relação à matemática.
Segundo o diretor fundador do Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), Ernesto Faria, apesar de os resultados não serem ideais, eles foram melhores do que os especialistas esperavam. Ele destacou que, mesmo em meio a desafios, o Brasil conseguiu garantir que os alunos desenvolvessem certas habilidades fundamentais. No entanto, ele ressaltou que os resultados precisam ser mais profundamente analisados para entender as principais causas para a manutenção do patamar baixo de aprendizagem no país.
Uma questão levantada pelos especialistas é o impacto da pandemia na educação dos estudantes, com escolas fechadas e aulas online. No entanto, o diretor do Iede sugere que a pandemia não pode ser apontada como a única causa para o desempenho inferior dos alunos, uma vez que os conteúdos básicos que foram avaliados já haviam sido consolidados antes do período da pandemia.
Além disso, o especialista destacou que o PISA de 2022 foi mais inclusivo, o que resultou na participação de mais alunos vulneráveis, que muitas vezes foram aprovados nos anos que estavam cursando, mesmo sem ter tido aulas. Ernesto Faria ressaltou a importância de políticas de volta às aulas e de retomada de aprendizagem no país, que podem ter impactado nos resultados positivos.
O desafio da matemática foi um dos principais pontos levantados pelos especialistas, que destacaram a necessidade de valorização dos professores e investimento adequado em educação para reverter o cenário atual. Os resultados apontaram que o Brasil está cerca de três anos atrás em matemática em relação à média dos países da OCDE, o que evidencia a urgência de melhorar o ensino dessa área de conhecimento.