
Insatisfação com a economia influencia eleição no Reino Unido
Por João Silva, jornalista
Os britânicos estão enfrentando uma eleição marcada pela insatisfação com a situação econômica do país. Klaus Guimarães Dalgaard, especialista no assunto, destaca que o alto custo de vida e o desemprego em níveis elevados são motivos de preocupação. Além disso, há uma deterioração dos serviços públicos, como o Serviço Nacional de Saúde, que está sobrecarregado. “Muitas pessoas estão morrendo em filas de espera, há erosão na educação, cortes nos orçamentos dos serviços sociais e uma crescente preocupação com a imigração ilegal”, explica Dalgaard.
Apesar disso, a eleição não significa necessariamente que a maioria dos britânicos seja de esquerda. Klaus ressalta que a principal motivação dos votantes é gerar uma mudança e retirar o Partido Conservador do poder. Em um sistema político de dois principais partidos, a busca por alternativas é evidente.
O resultado da eleição não foi surpreendente para muitos especialistas. Os britânicos vinham demostrando um desejo por mudanças radicais, especialmente após o Brexit. “A melhor forma de alcançar uma mudança, seja ela significativa ou não, é através da troca de governo”, afirma Dalgaard.
O surgimento do Reform UK (ex-Partido do Brexit), mais alinhado à direita, também impactou a eleição, tirando cadeiras do Partido Conservador. Mesmo entre os eleitores tradicionais conservadores, houve uma migração para o novo partido, caracterizado como extremista, demonstrando uma busca por mudanças até mesmo nos extremos políticos.
O desejo por mudanças é histórico no Reino Unido. Com o Partido Conservador há 14 anos no poder, é natural que os eleitores anseiem por uma renovação. Esse padrão já foi observado em eleições passadas, reforçando a ideia de que a mudança é uma constante na política britânica.
No sistema eleitoral do Reino Unido, adotam-se votos distritais. Os eleitores não elegem diretamente o primeiro-ministro, mas sim os membros do Parlamento que representam seus distritos. O líder do partido com maioria no Parlamento recebe a autorização do rei Charles 3º para assumir como primeiro-ministro e formar um governo.