Representantes do setor educacional destacam a importância do ensino superior privado e cobram mais recursos para a educação básica durante audiência na Comissão de Educação.
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Durante audiência pública comemorativa dos 35 anos da Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup), representantes do setor educacional destacaram, nesta terça-feira (2) na Comissão de Educação (CE), a relevância do ensino superior privado para o Brasil. Ao mesmo tempo, cobraram melhores recursos para a educação básica, incluindo a formação de professores, e mecanismos mais efetivos de avaliação de cursos. A realização do debate atende a requerimento (REQ 57/2024 — CE) do senador Flávio Arns (PSB-PR), presidente do colegiado. O evento foi conduzido pela senadora Rosana Martinelli (PL-MT).
A presidente da Anup, Elizabeth Guedes, apontou a preocupação da entidade com a situação da educação básica, refletida em resultados desfavoráveis do Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), e o cenário de “evasão e abandono” no ensino médio. Para ela, aumenta a distância entre as crianças brasileiras e as de países com sistemas de ensino mais eficientes.
Elizabeth salientou que muitos alunos são “punidos duplamente” pelas deficiências do ensino básico e pela cobrança de mensalidades em faculdades. Acrescentou que o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) tem um alcance “irrelevante” para mitigar o problema financeiro dos alunos. Entre as reivindicações formuladas pela presidente da Anup estão um maior esforço na formação de professores e providências do Ministério da Educação para descredenciar cursos superiores de baixa avaliação. Mas ela disse que a entidade precisa ajudar o governo a avaliar os cursos de forma correta.
Nós não podemos ter a mesma régua para o Brasil inteiro. Uma nota 3 no interior do Nordeste tem um significado totalmente diferente de uma nota 3 na boca do metrô na Avenida Paulista — comparou.
O vice-presidente da Anup, Juliano Griebeler, também considerou que o Fies foi “deixado um pouco de lado” em anos recentes e precisa de reformulação para retomar seu papel de expandir o acesso ao ensino superior. Ele mostrou estatísticas que apontam que 80% dos alunos das faculdades estão na rede particular de ensino — sendo que 90% desses alunos são das classes C, D e E — e duvidou que as metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação possam ser cumpridas.