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Dias antes da compra, Carlos também recebeu depósitos que somam mais de R$ 40 mil. O primeiro depósito, de R$ 10 mil, teria sido feito dias antes da compra do apartamento. O segundo, de R$ 31.687,05, foi no dia 20, mesma data da compra. O MP-RJ, porém, não sabe de onde vieram esses outros dois depósitos.
Cofre de onde vereador fez saque ficava a 500 metros de agência do Banco do Brasil. Os dois locais são vizinhos à Câmara Municipal do Rio, onde Carlos exerce seu mandato. O vereador teve o cofre até outubro de 2016. Reportagem da Folha de S.Paulo, publicada em 2020, mostra que Carlos não declarou à Justiça Eleitoral os bens que tinha no cofre em 2008 — naquele ano, ele concorria à reeleição na Câmara do Rio.
A defesa de Carlos Bolsonaro não se manifestou. O UOL entrou em contato com o advogado do vereador, mas ainda não obteve retorno. Em caso de manifestação, este texto será atualizado. O UOL também procurou a assessoria do MP-RJ por e-mail e aguarda um retorno.
Plano de saúde de Carlos não foi pago por ele, diz MP
Relatório do MP-RJ aponta que por nove anos o vereador só pagou um boleto do seu plano. O único pagamento teria sido feito em dezembro de 2014 à empresa Qualicorp, no valor de R$ 545,97, vindo de uma conta bancária no nome de Carlos. Segundo o ICL, a investigação do MP mostra que o vereador teve contrato com a Qualicorp entre 2011 e 2015, e com a Unimed, entre 2015 e 2020.
Investigadores veem indícios de desvio de dinheiro público em esquema de rachadinha. Segundo reportagem do ICL, peritos do MP suspeitam da prática de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no gabinete do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pediram análise dos dados. Quebra de sigilo fiscal e bancário de Carlos teria sido solicitada, assim como dos assessores dele entre 2005 e 2021. Ainda de acordo com o ICL, o pedido foi autorizado pelo TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro).