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Os livros e sua influência na sociedade
No universo da ficção, muitas vezes nos deparamos com personagens que são moldados e influenciados pelas obras que leem. Um exemplo clássico disso é encontrado no livro “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes (1547-1616), no qual o protagonista decide se tornar um cavaleiro após se envolver tanto com livros de cavalaria.
Já em “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert (1821-1880), a personagem principal, após se frustrar em seu casamento, acaba se envolvendo em casos extraconjugais devido à influência de romances românticos que lê. O escritor até mesmo teve que se explicar na Justiça por conta da acusação de imoralidade em sua obra.
O medo de que os livros possam influenciar as pessoas de forma direta é abordado em “Fahrenheit 451” de Ray Bradbury (1920-2012), no qual livros são queimados para evitar que a população tenha acesso à leitura e, consequentemente, ao pensamento crítico.
No entanto, essa visão simplista de causa e efeito está longe de representar a realidade da literatura. A literatura não impõe regras de conduta moral nem serve como guardiã dos bons costumes. Ela opera em um outro tempo, proporcionando uma experiência que vai além do simples influenciar direto.
Recentemente, o livro “O menino marrom” foi alvo de censura em algumas escolas do município de Conselheiro Lafaiete (MG). Alguns pais acreditaram que a obra estaria incentivando um pacto demoníaco, quando na verdade a história discute a importância da diversidade através de dois meninos que fazem um pacto de amizade.
A literatura, de fato, nos educa, mas de maneira mimética, contribuindo para uma formação sentimental e subjetiva que nos ajuda a nos tornar cidadãos responsáveis. Ela emula uma responsabilidade ética, mas nunca oferece respostas diretas, deixando espaço para a reflexão e interpretação do leitor.