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O impasse no Afeganistão: um buraco na civilização
O Afeganistão é palco de um dos mais complexos dilemas contemporâneos, onde a religião extremista do Talibã dita regras e limita os direitos das mulheres. Em agosto de 2021, escolas foram fechadas às jovens afegãs, criando uma barreira no caminho da educação e do progresso no país de 32 milhões de habitantes.
Segundo especialistas da renomada instituição britânica Chatham House, sediada em Londres e especializada em política internacional, o Afeganistão se encontra em um impasse civilizacional. Desde o abrigo à Al Qaeda até os atentados de 11 de setembro, o país foi palco de eventos que mudaram o curso da história recente.
O retorno do fundamentalismo islâmico após a retirada das tropas americanas pelo presidente Joe Biden gerou preocupações sobre o futuro da educação feminina. Shaharzad Akbar, ex-diretora da Comissão Afegã Independente de Direitos Humanos, destacou a resistência das mulheres em continuar educando através de redes sociais, apesar das restrições impostas pelo Talibã.
A redução de salários e a realocação de mulheres que trabalhavam na educação são reflexos da nova política do Talibã. Clandestinamente, essas mulheres mantêm redes de ensino, que favorecem aquelas com mais recursos e acesso à internet, permitindo conexão com mulheres de outros países onde a tolerância é maior.
Heather Hurlburt, associada ao programa de pesquisas da Chatham House, ressaltou o caos político e religioso que permeia o Afeganistão. A falta de consenso sobretudo na segurança e a prevalência do sectarismo religioso são desafios que dificultam a busca por uma convivência harmoniosa.
O cenário afegão também reflete a política interna dos EUA, desde os esforços de Hillary Clinton até a negligência de Trump e o atual desafio enfrentado por Biden. O país, portanto, vê-se diante de um labirinto de questões perturbadoras que impactam não apenas a região, mas todo o mundo.