Plano Real: os remédios essenciais que ainda impactam a economia brasileira e desafiam setores industriais, segundo economistas
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Nos últimos meses, a Taxa Selic, os juros básicos da economia, têm sido amplamente discutidos, principalmente após o Banco Central interromper o ciclo de queda dos juros, mantendo-os em 10,5% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária. Essas decisões têm causado polêmica e levado o país à volatilidade cambial, resultando em debates acalorados sobre os impactos estruturais dos juros e do câmbio na economia.
Economistas destacam que a valorização do real, impulsionada pelos juros altos, afetou a indústria nacional ao favorecer a concorrência dos produtos importados. A âncora cambial e os juros elevados foram fundamentais no início do Plano Real para controlar a inflação, atraindo capital estrangeiro e mantendo o dólar em baixa.
No entanto, com o passar dos anos, as consequências dessas medidas têm se revelado desafiadoras, especialmente para a indústria brasileira. A dependência do mercado financeiro e a sobrevalorização cambial continuam presentes, impactando a competitividade do setor produtivo nacional. O economista Leandro Horie, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), aponta que a desindustrialização do país e o favorecimento do agronegócio são resultados diretos dessas políticas adotadas no Plano Real.
Diante desse cenário, a necessidade de reformas que liberalizem a economia tem sido destacada por economistas ortodoxos, que afirmam que os juros altos são reflexo de desequilíbrios históricos do país. A continuidade das reformas constitucionais, como a administrativa e a tributária, são apontadas como essenciais para reduzir os juros no médio e longo prazo e manter a estabilidade econômica conquistada com o Plano Real.