
Disputa pela Presidência do Banco Central: Galípolo mantém favoritismo
O diretor Gabriel Galípolo, responsável pela Política Monetária, permanece como favorito na corrida pela presidência do Banco Central, mesmo após votar de forma contrária ao desejo do governo Lula no Comitê de Política Monetária (Copom), defendendo a interrupção da queda dos juros.
Embora Galípolo esteja confiante, assessores do governo informam que Lula ainda não decidiu sobre o indicado para suceder o atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, cujo mandato encerra em 31 de dezembro.
O discurso de Lula em busca de um perfil “maduro” e não submisso a pressões do mercado levantou questionamentos se Galípolo se encaixa nesses critérios. No entanto, próximos ao presidente acreditam que a declaração faz parte de uma estratégia para despistar a escolha final.
Com 42 anos, Galípolo foi conselheiro de Lula na campanha presidencial de 2022 e ocupou posições de destaque no governo. Apesar do apoio do presidente, sua indicação não está garantida, e a decisão final deve ser anunciada após as eleições municipais de outubro.
Em meio aos rumores, um integrante do governo lembra que o escolhido terá que ser submetido à aprovação do Senado, o que reduz as chances de indicação de nomes que hoje integram a bolsa de apostas, como Mercadante e Mantega.
Segundo a lei da autonomia da autoridade monetária, aprovada em 2021, cabe ao presidente da República a indicação dos nomes para a cúpula do BC. Posteriormente, os indicados passam por sabatina na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado Federal. Os escolhidos são, então, levados ao plenário para aprovação.
A indicação de Galípolo ao comando do BC conta com a simpatia de Haddad, de acordo com integrantes do governo. O voto do diretor no Copom foi visto pela equipe econômica como acertado e crucial para evitar uma deterioração nas condições de mercado do país, apesar de ter ido na contramão da redução de juros pleiteada por Lula.
A unidade do Copom foi vista por membros do governo como necessária para conter uma nova escalada do dólar. A moeda americana fechou cotada em R$ 5,44 nesta sexta-feira (21), após ter atingido seu maior valor nominal desde julho de 2022 (R$ 5,46) na sessão anterior.
Fontes destacam ainda que uma eventual divergência na votação poderia ter desencadeado uma crise de credibilidade do BC e levado a um aumento nas taxas de juros de longo prazo.
Publicamente, Campos Neto vem defendendo que a indicação do seu sucessor seja feita até outubro para que a transição seja suave, embora a crescente tensão potencialize desconfianças e contamine a transição colaborativa.
Além do presidente, Lula também terá que indicar até o fim do ano mais dois nomes para cargos nas diretorias do BC. Em 31 de dezembro, chegam ao fim os mandatos de Otavio Damaso (Regulação) e de Carolina de Assis Barros (Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta) – única mulher na cúpula da autoridade monetária atualmente.