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Conflito em Fire Island revela divisões na comunidade LGBTQIA+
Na cidade de veraneio gay de luxo de Fire Island Pines, bandeiras coloridas homenageiam os pioneiros da história LGBTQ+, como a atriz Wanda Sykes e a drag queen RuPaul, em um parque perto do porto. Por algumas horas neste mês, uma bandeira também homenageou o deputado Ritchie Torres, o primeiro integrante abertamente gay afro-latino do Congresso.
Mas Torres também é um defensor declarado de Israel, e pouco depois que sua bandeira foi hasteada, ela foi arrancada pelo grupo ativista gay Act Up, que também foi homenageado no parque, e substituída por duas bandeiras, uma das quais homenageava os palestinos queer.
Em questão de horas, a bandeira dos palestinos queer também foi arrancada por Michael Lucas, um performer e cineasta pornográfico com histórico de declarações antimuçulmanas.
A disputa em Fire Island, perto de Long Island, foi apenas uma expressão das tensões sobre a guerra na Faixa de Gaza que têm abalado a vida pública americana.
Em Nova York, a guerra desencadeou conflitos especialmente intensos dentro da comunidade LGBTQIA+, cujos membros vêm de todos os grupos étnicos e sociais e tendem a ser altamente sensíveis às questões de justiça social. Durante o mês do Orgulho LGBTQIA+, as divisões se tornaram mais visíveis do que nunca.
A luta sobre como a comunidade deve responder à guerra em Gaza se desenrolou em comentários acalorados online e acusações falsas de atividade pró-Hamas. Em Fire Island, o conflito das bandeiras opôs Torres e proprietários locais, incluindo Michel Lucas, contra os ativistas homenageados no parque. Em outros lugares de Nova York, disputas semelhantes, embora menos visíveis, abalaram bares gays, jantares beneficentes LGBTQIA+ e festividades do Orgulho.
O deputado Ritchie Torres defendeu sua posição, afirmando que um palestino queer é mais livre e seguro em Israel do que em Gaza governada pelo Hamas. Porém, críticos de Israel descrevem esses argumentos como pink-washing, alegando que Israel utiliza questões LGBTQIA+ para encobrir violações de direitos humanos em outras áreas.
A divisão na comunidade LGBTQIA+ reflete a diversidade de opiniões e sensibilidades dentro do grupo, que historicamente se identifica como politicamente liberal. A guerra em Gaza colocou em evidência debates sobre direitos humanos, política internacional e diversidade cultural, desafiando a unidade e a celebração típicas do mês do Orgulho.
O conflito em Fire Island, embora localizado, ecoa uma narrativa mais ampla de tensões e desafios enfrentados pela comunidade LGBTQIA+ em meio a crises globais e questões complexas de justiça e direitos humanos. A controvérsia nas Ilhas de Fogo mostra como a dança entre solidariedade e discordância é essencial para a construção de um futuro mais inclusivo e diversificado para todos os membros da comunidade LGBTQIA+.