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Manifestações de protesto contra avanço do atraso ganham força nas principais capitais; Presidente Lula critica punição às mulheres obrigadas a abortar.

SOCIEDADE BRASILEIRA REAGE CONTRA RETROCESSO

Os primeiros indícios de que a população não ficará em silêncio diante do avanço do atraso foram percebidos através das manifestações de protesto cada vez mais numerosas, organizadas na última semana por movimentos de mulheres, com significativa participação masculina, nas principais capitais do país.

Somente depois disso, no sábado, o presidente Lula, durante uma viagem ao exterior, se posicionou pela primeira vez, de forma contundente, criticando a aberração legislativa que pretende punir mulheres obrigadas a realizar abortos nos casos previstos em lei.

“Sou contra o aborto. Contudo, é crucial tratar o aborto como uma questão de saúde pública. É insensato alguém querer punir uma mulher com uma pena maior do que a do estuprador”, afirmou o presidente.

Agora talvez os líderes governistas abandonem a prática de liberar as bancadas nos projetos relacionados a “costumes”, para direcionar suas energias para pautas econômicas, e se engajem nessa causa humanitária que já mobilizou as ruas e recebeu apoio presidencial. Foi emocionante presenciar a grande marcha em Porto Alegre na noite de sexta-feira, mesmo em meio aos estragos causados pela enchente. Onde há vida, há esperança.

Perder votações faz parte do jogo político, no entanto, é inaceitável deixar de combater aqueles que defendem ideias retrógradas em todos os espaços, sejam eles públicos ou virtuais, para evitar um retrocesso cada vez mais evidente.

“A derrota não é do governo, é dos pobres, dos negros, das mulheres e, especialmente, das meninas”, escreveu Renato Vieira (de Florianópolis, SC) no Painel do Leitor da Folha. Esse sentimento deve ser o impulso para a sociedade, conforme destacou a leitora Lorena Pardelhas (de Porto Alegre, RS): “Não foi o governo Lula que perdeu. Fomos nós, sociedade e nação (…). Perde o brasileiro”.

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