
Milhares se reúnem em frente ao MASP para protestar contra projeto de lei polêmico
No sábado, 15 de agosto, uma multidão se aglomerou em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP), na Avenida Paulista, a partir das 15h. O motivo do protesto era o repúdio ao projeto de lei que equipara o aborto legal ao crime de homicídio quando realizado após 22 semanas de gestação. A proposta, que teve tramitação de urgência aprovada pela Câmara dos Deputados, gerou indignação e mobilizou manifestantes de diversas partes da cidade.
O ato fechou todas as faixas da avenida no sentido Consolação, na altura do MASP, por três quarteirões, causando impacto no tráfego local. Os participantes direcionaram suas críticas ao deputado federal Sóstenes Cavalcante, autor do PL, e a Arthur Lira, presidente da Câmara, que conduziu a votação de urgência em apenas 23 segundos.
Os manifestantes entoaram slogans como “Criança não é mãe” e “Estuprador não é pai”, evidenciando a revolta com a proposta em questão. Especialistas alertam que, se a lei for aprovada, meninas em situações de vulnerabilidade serão as mais afetadas, pois poderão ser obrigadas a levar a gravidez adiante caso ultrapassem o prazo legal para a interrupção.
A manifestação, que teve início por volta das 16h15, seguiu em direção à Consolação sem a utilização de trio elétrico. Os organizadores lideraram o ato por meio de microfones e percussão, intensificando as críticas ao projeto de lei e pedindo a saída de Lira do cargo. O clima era de mobilização e protesto, com a presença de manifestantes de diversas idades e segmentos da sociedade.
No Brasil, o aborto é permitido em casos específicos, como estupro, risco de vida da mulher e anencefalia fetal. O PL em discussão propõe mudanças drásticas no Código Penal, imposto penas severas para mulheres que interromperem a gestação após o limite estabelecido.
Além da manifestação em São Paulo, outras cidades do país também estão se mobilizando. A população articula protestos em locais como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Natal e João Pessoa, demonstrando a importância do debate acerca do direito ao próprio corpo e das políticas públicas em saúde reprodutiva.