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Crianças e adolescentes vítimas de estupro: a triste realidade brasileira
No Brasil, os números relacionados a casos de estupro de crianças e adolescentes são alarmantes. De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 61,4% das vítimas de estupro no país estão na faixa etária de zero a 13 anos. Quando observamos apenas as crianças de até quatro anos, esse número representa 10,4% do total. O cenário se torna ainda mais preocupante quando sabemos que a maioria dos abusos ocorre dentro de casa, sendo que 68,3% dos estupros contra crianças têm como agressores pais, tios, irmãos e padrastos.
A falta de informação sobre o próprio corpo e o medo de ameaças domésticas podem levar as vítimas a não procurarem ajuda médica durante as primeiras 22 semanas após o abuso. E, mesmo quando buscam auxílio, muitas vezes deparam-se com profissionais de saúde que se recusam a realizar o procedimento de interrupção da gravidez ou com promotores e juízes que discordam das leis vigentes.
Esse tema é um tabu na política brasileira, especialmente para os progressistas, já que a maioria da população é contra o aborto. Em época de eleições, a questão se torna ainda mais delicada, com grupos conservadores no Congresso se aproveitando da situação. Nas eleições presidenciais de 2014, por exemplo, o debate sobre o aborto ganhou grande destaque, demonstrando a polarização existente.
Mesmo diante de tragédias como a de Jandira dos Santos, que faleceu em decorrência de um aborto clandestino, muitos candidatos evitam tomar posicionamentos claros em relação à questão do aborto e dos direitos das mulheres.
É fundamental questionar a opinião pública sobre temas sensíveis como o aborto em casos de estupro. A abordagem correta não seria simplesmente perguntar se as pessoas são a favor ou contra o aborto, mas sim questionar se apoiam a ideia de obrigar crianças estupradas a manterem a gravidez do agressor, se concordam com a criminalização de mulheres que buscam um aborto legal ou se aceitariam que suas próprias familiares fossem penalizadas em casos de estupro.
Diante desse contexto, é necessário repensar a forma como o tema é abordado na sociedade e no cenário político, buscando promover um debate mais consciente e humanitário sobre os direitos das vítimas de estupro e a necessidade de proteção às mulheres em situações vulneráveis. Afinal, é preciso garantir que a justiça e a dignidade prevaleçam em nossa sociedade.