Assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips geram comoção internacional, mas justiça ainda não foi feita, criticam ONGs.
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Bruno e Dom foram vistos pela última vez no dia 5 de junho e seus corpos só foram encontrados no dia 15 do mesmo mês. Os suspeitos de envolvimento no crime foram detidos, incluindo Amarildo da Costa Oliveira, Oseney da Costa de Oliveira e Jefferson da Silva Lima, acusados de duplo homicídio qualificado e ocultação dos corpos. Outros dois suspeitos, Ruben Dário da Silva Villar e Jânio Freitas de Souza, também foram indiciados pela Polícia Federal.
A demora no início do julgamento dos acusados gera preocupações sobre a impunidade e a violação dos direitos humanos na região amazônica. Organizações como a Repórteres Sem Fronteira apontam que, desde junho de 2022, houve pelo menos 85 casos de agressões contra jornalistas e meios de comunicação nos nove estados da Amazônia. O clima de medo e autocensura entre os comunicadores locais é evidente, tornando o exercício do jornalismo na região uma tarefa perigosa.
Em meio a essas preocupações, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos determinou que o Estado brasileiro adotasse medidas para proteger os defensores dos direitos humanos e jornalistas que atuam no Vale do Javari, incluindo aqueles ligados ao caso de Bruno e Dom. No entanto, as organizações apontam que as medidas não foram integralmente implementadas, deixando os profissionais em risco e sem a devida proteção.
Diante desse cenário, é crucial que as autoridades brasileiras ajam de forma eficaz para garantir a segurança e integridade dos comunicadores e ativistas na região amazônica. A justiça deve prevalecer, e a punição dos responsáveis pelos assassinatos de Bruno e Dom é fundamental para evitar novos episódios de violência e garantir um ambiente seguro para o exercício da liberdade de imprensa e dos direitos humanos.