Mapeamento de Escorregamentos em São Sebastião Revela Mil Pontos de Risco Após Desastre de 2013

Este mapeamento dos locais propensos a deslizamentos de terra foi publicado no Brazilian Journal of Geology e estará disponível no Zenodo, um repositório de publicações e informações de acesso aberto. O coordenador do projeto, Carlos Henrique Grohmann, destacou em entrevista à Agência Brasil a importância de identificar esses pontos de risco, mesmo que a maioria deles esteja localizada em áreas não urbanas. O objetivo é direcionar políticas públicas eficazes para a região.
Grohmann explicou que o elevado número de escorregamentos ocorreu devido a uma chuva excepcional que atingiu São Sebastião, totalizando 683 milímetros em menos de 15 horas. Essa precipitação intensa e concentrada saturou o solo, tornando-o propenso a deslizamentos. Apesar de a região ser naturalmente propícia a deslizamentos, eventos climáticos extremos como este aumentam significativamente o risco de ocorrência.
Para aprimorar o mapeamento dessas áreas vulneráveis, a USP está colaborando com o Instituto Geográfico e Cartográfico de São Paulo (IGC-SP) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para utilizar a tecnologia LiDAR. Essa tecnologia, baseada em sensores laser acoplados a aviões ou helicópteros, permite obter dados geoespaciais com alta precisão, o que aprimorará a identificação de áreas suscetíveis a deslizamentos.
A prefeitura de São Sebastião, por sua vez, destaca a importância da análise feita pela USP e se coloca à disposição para colaborar com os estudos. A administração municipal também tem tomado medidas preventivas, como a atualização do mapa de áreas de risco em parceria com o IPT e a implementação de sistemas de alerta e prevenção, visando evitar novas tragédias como a ocorrida em 2013. Além disso, a prefeitura tem investido na recuperação das áreas afetadas e na conscientização da população, especialmente das crianças, sobre os riscos e formas de prevenção em caso de desastres naturais.