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Minerais usados por bactérias há 2 bilhões de anos podem mudar entendimento da evolução da vida e possíveis pistas para vida extraterrestre




Artigo sobre Bactérias e Minerais

Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros e europeus revelou que bactérias que viveram há quase 2 bilhões de anos já utilizavam minerais para fabricar suas próprias “bússolas” microscópicas, auxiliando-as na orientação pelo campo magnético terrestre. Essa descoberta tem implicações significativas para a compreensão da evolução da vida no planeta.

O geofísico Ualisson Donardelli Bellon, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, explicou que essas bactérias modernas ainda usam a magnetização para se orientar no campo magnético terrestre. Elas capturam ferro e produzem cristais de minerais como a magnetita, que formam cadeias utilizadas para guiar seus movimentos.

Essa estratégia de “navegação” com bússola embutida é antiga, possivelmente remontando aos primórdios da vida bacteriana. A análise dos minerais magnéticos presentes nas rochas possibilita inferir a presença dessas bactérias mesmo sem a preservação das células microbianas.

O estudo recente produziu modelos detalhados sobre o comportamento dos cristais magnéticos gigantescos encontrados em rochas datadas de 1,88 bilhão de anos, e concluiu que essas estruturas ainda desempenhavam a função de bússola nessa época remota. A pesquisa não apenas fornece informações sobre a química dos oceanos antigos, mas também tem potencial para auxiliar na busca por vida microbiana em outros planetas, como Marte.

O uso de métodos não invasivos para analisar esses minerais magnéticos em amostras de rochas poderia ser estendido para investigar a possível existência de vida em amostras extraterrestres. Essa metodologia abre caminho para pesquisas futuras em diferentes planetas rochosos, incluindo Marte e meteoritos.


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