Fome atinge quase 500 mil pessoas na cidade do Rio de Janeiro, revela pesquisa inédita do Mapa da Fome municipal.

O estudo inédito apontou que a fome é mais prevalente em lares chefiados por pessoas negras, atingindo 9,5% desses domicílios. Além disso, 8,3% das famílias comandadas por mulheres também enfrentam escassez de alimentos. A pesquisa também evidenciou que a geografia da cidade impacta o acesso à alimentação adequada, com a Área de Planejamento 3 (Zona Norte sem a Grande Tijuca) sendo a mais afetada pela fome, com 10,1% das casas apresentando insegurança alimentar grave.
O Mapa da Fome da Cidade do Rio de Janeiro, fruto de uma parceria entre a Frente Parlamentar contra a Fome e a Miséria no Município do Rio de Janeiro da Câmara Municipal e o Instituto de Nutrição Josué de Castro (INJC/UFRJ), é o primeiro estudo municipal a mapear a insegurança alimentar e a fome na cidade. Os dados revelaram que a falta de comida atinge especialmente famílias com menor escolaridade, desempregadas e de menor renda.
Segundo a professora e pesquisadora Rosana Salles-Costa, do INJC/UFRJ, o perfil das pessoas que passam fome no Rio reflete as desigualdades nacionais, com a chefia feminina, pessoa negra ou parda, menor escolaridade, desemprego e menor renda sendo fatores de risco para a insegurança alimentar.
O estudo foi realizado entre novembro de 2023 e janeiro de 2024, entrevistando 2 mil domicílios nas cinco áreas de planejamento da cidade. Foram utilizados critérios técnicos da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) para medir a segurança alimentar. O Mapa da Fome evidencia a urgência de políticas públicas eficazes para combater a insegurança alimentar na cidade e garantir o direito à alimentação saudável para todos os cariocas.