Brasileiros revelam desejos impossíveis em instalação artística no CCBB: “Férias sem fim, Playstation 5 e mais”

Essa obra, batizada de “inventário de sonhos de consumo”, está em destaque na exposição “Arte Subdesenvolvida”, que começou no dia 29 de julho no CCBB. A mostra tem como objetivo discutir o conceito de subdesenvolvimento e como os artistas brasileiros reagiram a essa condição ao longo do tempo, principalmente entre as décadas de 1930 e 1980.
O curador da exposição, Moacir dos Anjos, explicou que o conceito de subdesenvolvimento foi uma ideia temporária até meados dos anos 40, pois se acreditava que seria superado com o crescimento econômico global. No entanto, a partir dessa década, surgiu a necessidade de intervenção nas estruturas sociais, econômicas e culturais para superar essa condição, tornando-se um desafio mais complexo.
A exposição traz uma variedade de trabalhos de artistas brasileiros, incluindo pinturas, livros, discos, cartazes e até áudios e vídeos. A expografia da mostra foi pensada sob a cor amarela, inspirada na descrição da fome feita pela escritora Carolina Maria de Jesus em seu livro “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”.
A exposição foi dividida em cinco núcleos cronológicos, todos relacionados ao tema da fome. Desde as discussões iniciais sobre subdesenvolvimento até obras do período da ditadura militar, a mostra aborda como a fome permeou a produção artística brasileira ao longo do tempo.
Moacir dos Anjos ressalta que a exposição sugere que para superar o subdesenvolvimento, é preciso reconhecer e enfrentar a realidade atual. Com o Brasil voltando ao Mapa da Fome em 2018, a questão da fome continua sendo urgente e presente em nossa sociedade.
A exposição “Arte Subdesenvolvida” ficará em cartaz no CCBB até 5 de agosto, com entrada gratuita mediante retirada de ingressos na bilheteria ou pelo site do CCBB SP. A mostra é uma oportunidade de refletir sobre sonhos, desigualdades e os desafios do desenvolvimento no Brasil.