
Festival Literário Internacional de Paraty: Desafios e Expectativas
A Festa Literária Internacional de Paraty anunciou na semana passada que sua edição deste ano será em meados de outubro, ou seja, daqui a menos de cinco meses. A notícia causou incômodo entre editores e editoras influentes por dois motivos: o prazo curto para convidar autores e a proximidade com a Feira de Frankfurt, o maior mercado internacional de compra e venda de títulos.
O evento alemão acontece de 16 a 20 de outubro, data já conhecida há anos, e a feira paratiense foi marcada para a semana anterior, dos dias 9 a 13. Embora as datas não coincidam exatamente, é comum que agentes do mercado comecem a estudar propostas e ler originais antes de viajar à Alemanha, que sedia o mais intenso balcão de negociações do mundo.
Isso deve causar desfalques na Flip. Apesar de serem poucos numericamente, esses desfalques envolvem atores estratégicos que costumam ciceronear convidados e discutir negócios, tornando a festa literária espaço privilegiado para expandir redes de contatos. Além disso, é improvável a presença de agentes literários e editores estrangeiros que poderiam avançar contratos e promover a Flip pelo mundo.
A organização da Flip afirmou que o calendário da Feira de Frankfurt foi considerado ao marcar as datas do evento e que a prioridade é retornar ao seu calendário original, em torno de julho, até 2025. No entanto, o ano eleitoral em Paraty tem complexificado a mediação entre a organização e os atores locais.
Os editores consultados reconhecem o desafio de encontrar uma data para a festa, diante de fatores como a captação de recursos e o calendário de eventos na cidade. As movimentações deste ano foram descritas com expressões como “lambança” e “stress desnecessário”, evidenciando a dificuldade de conciliar interesses e agendas.
A curadora da edição deste ano, Ana Lima Cecilio, tem recebido elogios, mas ainda não há informações sobre a programação. Enquanto isso, novidades editoriais já agitam o mercado literário, como a descoberta de páginas inéditas da história do rei Artur e o lançamento do livro “Ségurant, o Cavaleiro do Dragão” pela Autêntica.
Além disso, a Companhia das Letras prepara o lançamento da poesia reunida de Victor Heringer, escritor carioca falecido em 2018, em julho. A coletânea “Não Sou Poeta” inclui textos inéditos organizados por seu irmão, Eduardo.
Em meio a desafios e expectativas, a Flip se prepara para mais uma edição, buscando conciliar oportunidades de negócios e encontros literários em um cenário desafiador e dinâmico.
Por: Nome do Jornalista