
Professora da Coreia do Sul comete suicídio após sofrer pressão e perseguição
No dia em que escreveu “Sinto uma forte pressão no peito. É como se estivesse me afogando. Sinto que vou cair. Nem sequer sei onde estou”, Lee-Min so, uma professora primária da Coreia do Sul, acabou tirando a própria vida duas semanas depois.
A família descobriu em seus diários que ela estava sendo oprimida e perseguida por pais de alunos, desencadeando uma onda de indignação entre os professores do país, que exigiram mais proteção. Essa tragédia expôs a face mais extrema de um problema global enfrentado por educadores em diversas partes do mundo.
No Brasil, casos de agressões a professores têm sido frequentes, com relatos de violência física e verbal. Uma pesquisa realizada pela Nova Escola em parceria com o instituto Ame Sua Mente mostrou que 7 em cada 10 educadores notaram um aumento da violência entre os alunos, com relatos de agressões e comportamentos agressivos.
Professores ao redor do mundo enfrentam desafios semelhantes
Na Inglaterra, quase um em cada cinco professores foi agredido por um aluno neste ano, enquanto na Espanha uma professora foi agredida fisicamente por um aluno. Em Bogotá, na Colômbia, uma aluna agrediu brutalmente uma professora, e em Santiago, no Chile, um professor foi espancado por um aluno e ficou inconsciente.
Lorraine Meah, professora britânica, relatou um aumento no comportamento desafiador dos alunos nos últimos anos, com episódios preocupantes até mesmo entre crianças pequenas. No Chile, uma pesquisa realizada pelo Colégio de Professores e Professoras revelou que 86,8% dos professores foram vítimas de insultos e ameaças.
A psicóloga chilena, María Elena Duarte, apontou que a mudança na percepção da escola e no vínculo entre professores e alunos contribui para a violência nas salas de aula. Ela destaca a importância de fortalecer o vínculo emocional entre as partes envolvidas para promover um ambiente de aprendizado saudável.
Impactos da pandemia e novas formas de agressão
Muitos especialistas concordam que a pandemia de Covid-19 agravou os conflitos em sala de aula, resultando em mais problemas de saúde mental e comportamentos agressivos. Profissionais da educação em diversos países têm relatado altos níveis de ansiedade e estresse, levando alguns a considerar abandonar a profissão.
Além disso, novas formas de agressão, como bullying online contra professores, vêm se tornando mais comuns. A falta de desenvolvimento emocional entre os alunos tem contribuído para a violência nas escolas, tornando essencial um trabalho conjunto entre escola, família e profissionais da saúde mental.
Pais e a influência na relação entre professores e alunos
Os pais também desempenham um papel importante na relação entre professores e alunos, influenciando diretamente o comportamento dos estudantes. A tendência de superproteção dos pais e a redução da autoridade dos educadores têm impactado negativamente o ambiente escolar.
Profissionais da educação ressaltam a importância de um trabalho conjunto entre escola e família para promover um ambiente de respeito e colaboração. A falta de vínculo emocional entre professores, alunos e pais tem sido apontada como um dos principais fatores para a violência nas escolas.
O desafio de cuidar da saúde mental de professores e alunos
Os especialistas enfatizam a necessidade de promover a saúde mental de todos os envolvidos na comunidade educacional, destacando a importância de criar protocolos de convivência adequados. Caso contrário, o problema da violência nas escolas só tenderá a piorar.
Onde buscar atendimento?
Rede de Atenção Psicossocial – Mapa das unidades habilitadas pelo Ministério da Saúde
Mapa Saúde Mental – Site com diversos tipos de atendimento: www.mapasaudemental.com.br
CVV (Centro de Valorização da Vida) – Voluntários atendem ligações gratuitas 24 horas por dia no número 188: www.cvv.org.br