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Desigualdade de gênero na alocação do tempo de trabalho
Recentes dados apontam para uma desigualdade significativa na alocação de horas de trabalho entre homens e mulheres, tanto no âmbito profissional quanto doméstico. Segundo informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2022, as mulheres trabalham em média entre 56 e 58 horas semanais, enquanto os homens dedicam de 54 a 55 horas a essas atividades.
Uma questão que se coloca é se essa disparidade se mantém entre casais com e sem filhos. De acordo com a pesquisa, mulheres com filhos dedicam cerca de 20 horas por semana às tarefas domésticas, em contraste com as 15 horas semanais das que não têm filhos, representando um acréscimo de 33%. Já entre os homens, a diferença na alocação de tempo de trabalho doméstico entre aqueles com e sem filhos é de apenas 10%.
Outro aspecto relevante é a diferença na dedicação ao trabalho econômico. Enquanto as mulheres sem filhos destinam cerca de 41 horas por semana a suas atividades profissionais, as que têm filhos reduzem essa carga para 38 horas semanais. Já os homens mantêm uma média de 44 horas de trabalho semanal, sem distinção entre os dois grupos.
Existem diversas possíveis explicações para essa desigualdade, que vão desde questões culturais até a percepção do mercado de trabalho em relação às mulheres com filhos. Diante desse cenário, é fundamental que políticas públicas sejam implementadas para promover a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres, como previsto no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 das Nações Unidas.
Uma das medidas propostas é a criação de normas igualitárias tanto no mercado de trabalho quanto na divisão de tarefas domésticas, buscando eliminar estereótipos de gênero e promover uma distribuição mais equitativa do tempo entre os membros da família. A adoção de uma nova política de cuidados em desenvolvimento pelo governo federal também pode contribuir para alcançar esse objetivo.
Em última instância, a promoção da igualdade de oportunidades, a oferta de serviços de cuidado e a valorização do trabalho das mulheres são passos essenciais para construir uma sociedade mais justa e diversa, onde o tempo de trabalho seja equitativamente distribuído e todos tenham acesso a oportunidades de desenvolvimento e cuidado eficaz.
Portanto, é fundamental que sejam adotadas medidas concretas para combater a desigualdade de gênero na alocação do tempo de trabalho, garantindo que homens e mulheres possam desempenhar seus papéis de forma equitativa e contribuir para uma sociedade mais igualitária e justa.