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Tragédia em 446 municípios gaúchos foi causada pela ação do homem e falta de manutenção em obras de contenção, aponta especialista.

As fortes chuvas que atingiram o estado do Rio Grande do Sul e causaram tragédias em 446 municípios gaúchos têm sido motivo de preocupação e análise por especialistas. O professor Roberto Reis, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Evolução da Biodiversidade da PUCRS, apontou que a ação do homem contribuiu significativamente para a dimensão da tragédia. Ele ressaltou que a construção em áreas de alagamento e a falta de manutenção em diques e barreiras anti-alagamento foram fatores determinantes.

Em entrevista à imprensa, Reis enfatizou que Porto Alegre, cidade atingida por alagamentos frequentes, está localizada em uma área propensa a inundações devido à sua proximidade com o Lago Guaíba. O professor destacou a importância da manutenção correta das estruturas de contenção de enchentes para evitar novas tragédias no estado. Ele apontou que a falta de cuidado com essas obras, construídas na década de 1970, foi um dos motivos para a gravidade do evento.

Outro especialista, o professor Rodrigo Paiva, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS, explicou que o volume incomum de chuvas na região contribuiu significativamente para as cheias, atingindo níveis recordes em alguns locais. Paiva ressaltou que a velocidade de escoamento das águas influenciou na intensidade e na durabilidade das inundações, afetando principalmente as áreas de várzea e as planícies próximas aos rios.

Além disso, Paiva destacou a importância das várzeas como reservatórios naturais que ajudam a atenuar as cheias, evitando que o volume de água das montanhas chegue com mais intensidade às áreas urbanas. Ele ressaltou que, apesar dos danos causados pelas enchentes, a presença das várzeas acaba sendo um fator mitigador dos impactos e contribui para a redução da velocidade da água.

Diante das recentes tragédias, os especialistas alertam para a necessidade de investimentos em infraestrutura e manutenção adequada das estruturas de contenção de enchentes, bem como para a importância de medidas preventivas diante das mudanças climáticas. A população e os gestores públicos devem estar atentos aos alertas e colaborar para a redução dos impactos causados pelas chuvas intensas e pelas cheias em regiões vulneráveis.

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