Ministério Público Federal denuncia agentes da ditadura por participação na execução de Carlos Marighella em operação policial em São Paulo.
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Além dos agentes, o legista Harry Shiabata também foi denunciado, pois, segundo o MPF, em seu laudo, ele teria ocultado informações que indicavam que Marighella foi executado. Os policiais alegaram que o guerrilheiro foi morto durante uma troca de tiros, mas evidências encontradas mostram que houve um disparo a curta distância, indicando uma execução. A procuradoria destaca que Marighella estava desarmado e poderia ter sido imobilizado e preso, em vez de morto.
O procurador Andrey Borges de Mendonça, responsável pela denúncia, argumenta que a intenção desde o início era matar Marighella e não prendê-lo vivo, caracterizando um crime contra a humanidade. O MPF reitera que o Brasil já foi condenado duas vezes pela Corte Interamericana de Direitos Humanos por crimes cometidos durante a ditadura militar, e que é fundamental investigar e responsabilizar os envolvidos em assassinatos, torturas e desaparecimentos forçados nesse período sombrio da história do país.
O contexto de perseguição sistemática do Estado brasileiro contra a população civil durante a ditadura militar é ressaltado pelo MPF, que destaca a gravidade dos crimes cometidos nesse período. Portanto, a denúncia contra os envolvidos na morte de Carlos Marighella visa não apenas buscar justiça pela execução do líder guerrilheiro, mas também reforçar a importância de responsabilizar aqueles que cometeram crimes contra os direitos humanos.