
Autismo no Brasil: um complexo industrial em expansão
No Brasil, pesquisadores da UFRJ e da Rede de Pesquisas em Saúde Mental de Crianças e Adolescentes identificaram a existência de um complexo industrial do autismo influenciando as políticas públicas e se expandindo no mercado de bens e consumo. Inspirado no livro “The Autism Industrial Complex”, o termo define um sistema que transforma o autismo em mercadoria para lucro.
No campo da saúde pública, o relatório aponta o direcionamento de recursos para clínicas exclusivas para pessoas com autismo, em contraste com a política de saúde mental do SUS. Especialistas e ativistas questionam esse modelo, destacando a importância do cuidado com base comunitária.
No mercado de saúde suplementar, a expansão de clínicas especializadas, atendimento ultraespecializado e gastos com autismo já superando os de tratamentos de câncer são aspectos destacados no relatório. A rescisão de contratos de autistas gerou repercussão e até proposta de CPI.
Além disso, o relatório aponta uma lista extensa de produtos e bens associados ao autismo, gerando um mercado específico que muitas vezes carece de evidências científicas para sua eficácia. Empresas de diversos setores também têm utilizado o autismo como estratégia de marketing, sob o discurso da inclusão.
No âmbito do SUS, serviços referenciados como os Capsij e CERs enfrentam críticas de ativistas e especialistas, que apontam a falta de capacitação dos profissionais e a dificuldade de acesso a diagnóstico e terapias específicas para o autismo.
Em resposta, o Ministério da Saúde destaca a destinação de recursos para núcleos especializados em autismo, visando ampliar o acesso a serviços de reabilitação. No entanto, o relatório ressalta a necessidade de políticas mais abrangentes de saúde mental, contemplando outras demandas além do autismo.
No Legislativo, projetos de lei voltados para o autismo têm se proliferado, refletindo o impacto político da questão. A complexidade do autismo exige uma abordagem integrada dentro de uma política maior de saúde mental, para garantir um cuidado qualificado e abrangente.
Diante desse cenário, a reflexão crítica proposta pelos pesquisadores se faz necessária para repensar o cuidado e a inclusão de pessoas com autismo na sociedade brasileira.