
Um Retrato da França Periférica no Cinema Francês
A obra cinematográfica em destaque tornou-se um dos grandes sucessos editoriais dos últimos anos ao retratar de forma sensível e impactante uma França periférica, muitas vezes esquecida, e seus jovens habitantes. O filme adentra o universo de personagens que sonham com um lugar diferente para si, mas que estão fadados a repetir os mesmos caminhos trilhados por seus pais.
Com uma narrativa melancólica, a história tem como protagonistas os dois irmãos gêmeos de 32 anos que cresceram no campo, em uma família humilde do sudoeste da França. O personagem principal, Anthony, é interpretado por Paul Kircher, uma jovem promessa do cinema francês, enquanto a mãe é representada por Ludivine Sagnier e o pai, marcado pelo álcool, desemprego e violência, é interpretado por Gilles Lellouche.
O filme, com uma duração de 02h26, foi originalmente concebido como uma série e possui uma estrutura em capítulos, assim como o livro que serviu de inspiração. A trilha sonora, repleta de sucessos dos anos 90 como Nirvana, Red Hot Chili Peppers e Francis Cabrel, certamente vai despertar nostalgia em quem tinha 15 anos na década de 1990.
Sobre esse pano de fundo musical, desenrola-se a trajetória desses jovens, desde o amor inalcançável de Anthony, personificado por Angelina Woreth no papel de Steph, até a relação conturbada com Hacine, o ‘irmão inimigo’ da cidade vizinha, criado pelo pai imigrante do Marrocos, e interpretado por Sayyid El Alami.
O filme, com uma estética por vezes inspirada no cinema americano, não hesita em mostrar as fraturas sociais francesas, ao mesmo tempo em que celebra momentos de união do país, como a icônica vitória na Copa do Mundo de 1998.