Abdias do Nascimento, ativista do movimento negro, terá seu nome inscrito no Livro dos Heróis da Pátria em homenagem póstuma.

Nascido em 1914 em Franca, Abdias do Nascimento foi um intelectual multifacetado, atuando como escritor, ator, artista visual, professor e político. Sua maior contribuição foi no combate ao racismo e na difusão da cultura africana. Foi fundador do Teatro Experimental do Negro (TEN), uma companhia teatral que abordava temáticas sobre cidadania e conscientização racial. Além disso, Abdias também idealizou o Museu da Arte Negra (MAN), que teve sua exposição inaugural no Museu de Imagem e do Som do Rio de Janeiro.
O ativista também teve um papel significativo durante o período em que esteve exilado nos Estados Unidos, atuando como professor emérito de culturas africanas na Universidade de Nova York. Após seu retorno ao Brasil, fundou o Instituto de Pesquisa e Estudos Afro-Brasileiros e participou ativamente do Movimento Negro Unificado contra o Racismo e a Discriminação Racial.
A importância de Abdias do Nascimento vai muito além de suas atividades no Brasil. Ele também atuou como consultor da Unesco e exerceu cargos como deputado federal e senador. Sua morte, aos 97 anos, em 2011, marcou o fim de uma vida dedicada à luta pela igualdade racial e pela valorização da cultura negra.
A inscrição do nome de Abdias no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, popularmente conhecido como Livro de Aço, equipara seu reconhecimento ao do líder quilombola Zumbi dos Palmares, concedendo-lhe o título de Herói da Pátria. Abdias do Nascimento deixa um legado de resistência e luta que certamente continuará a inspirar as gerações futuras. Sua importância histórica é incontestável, e a homenagem prestada através dessa lei reflete o merecido reconhecimento do seu legado para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.