Governo de SP corta R$ 37,3 milhões de programa de câmeras corporais usadas na farda da PM, com impacto na letalidade policial

Ao longo do ano passado foram publicados quatro decretos que reduziram os valores destinados às câmeras corporais e transferiram o dinheiro para outras despesas, como atendimento em saúde dos policiais militares, pagamento de diárias e compra de material de consumo da corporação. Em outubro, foi retirado um montante de R$ 15,2 milhões do programa, correspondendo a 10% do orçamento inicial.
Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo, estão em funcionamento 10.125 câmeras operacionais portáteis. O governo estadual afirma que planeja ampliar os investimentos em tecnologia e monitoramento em 2024, integrando soluções e garantindo maior proteção ao cidadão.
Porém, em 2023, as mortes causadas por policiais militares em serviço aumentaram. Até novembro, os agentes da PM mataram 313 pessoas em todo o estado, número que já supera os 256 casos registrados em 2022, representando uma alta na letalidade de 18,2%.
Apesar disso, organizações que acompanham a área de segurança pública apontam o uso de câmeras nas fardas como um elemento que ajuda a reduzir as mortes causadas pela polícia. Estudos indicam uma diminuição de 62,7% das mortes causadas por policiais em 2022 em relação a 2019, bem como uma queda de 76,2% nos batalhões em que a tecnologia foi adotada e de 33,3% nas companhias que não usam o equipamento.
O pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Dennis Pacheco, ressaltou a importância das câmeras, mas também destacou a necessidade de discutir o combate ao racismo institucional e o controle do uso da força policial, além da formação dos policiais. Essas questões são consideradas fundamentais para garantir maior segurança para a população e para os policiais enquanto estão em serviço.